Em palestra para os colaboradores, Priscilla Couto ressaltou que assédios são praticados por pessoas, e não por empresas. As instituições, no entanto, devem ter responsabilidade no combate a esse problema
“Empresas não assediam. Quem assedia são pessoas.” Talvez muita gente não saiba, mas essa máxima é fiel à realidade comum nos casos de assédio, sejam sexuais, sejam morais. O alerta que convoca a todos para uma reflexão em busca de mudanças foi apresentado pela mentora de carreira Priscilla Couto, em palestra realizada para os colaboradores da Companhia.
Trata-se de uma ação do programa +Que Respeito, que reforça o compromisso com a diversidade e a inclusão no setor de energia.
A mensagem transmitida no evento destaca um ponto essencial: a responsabilidade individual nos casos de violência psicológica e sexual. Mas é bom lembrar: as organizações têm um papel fundamental na prevenção e no combate a essas práticas, garantindo um ambiente seguro e respeitoso para todos os seus colaboradores.
Realizado no final de fevereiro, o encontro on-line foi mediado pelo analista de Comunicação da empresa, Osvaldo Santos, que informou, ao lado da gerente jurídica Fernanda Brum Reis, algumas políticas adotadas pelas companhias quanto a essa temática, incluindo o Canal de Denúncias e o Código de Ética e Conduta.
Um desafio para o mundo corporativo
Logo na parte inicial da palestra, Priscilla Couto ressaltou que o assédio está enraizado em relações de poder. Muitas vezes, essas situações são toleradas ou minimizadas dentro das empresas, o que reforça a impunidade e o silenciamento das vítimas. A discriminação e o horror ao diferente fomentam essa chaga.
“A gente está sempre buscando os semelhantes. Então, quando alguém é diferente, ao invés de querermos compreender e acolher, acabamos entrando em um conflito que às vezes nem percebemos. Deveríamos ter respeito.”
Os dados apresentados na palestra apontam um cenário preocupante: 40% das mulheres já sofreram assédio sexual no trabalho. Desse total, 76% das vítimas não denunciam os casos, por medo de represálias ou por não acreditarem que haverá alguma consequência para o assediador.
“No assédio sexual, temos ali uma prática que confirma que aquilo existiu. Já o assédio moral, normalmente, é silencioso para o mundo, mas grita para quem é assediado.”
Como combater o assédio
Um código de conduta ou uma campanha de conscientização são importantes como ferramentas de combate ao assédio, mas não devem ser os únicos meios. “As organizações precisam olhar para seus processos internos e entender se estão criando espaços seguros para que as pessoas possam trabalhar sem medo”, disse a palestrante.
Entre as ações fundamentais para combater o assédio, ela cita:
- Criar canais de denúncia anônimos e acessíveis;
- Treinar lideranças para reconhecer e coibir comportamentos abusivos;
- Garantir investigação e punição efetiva para os casos reportados;
- Desenvolver uma cultura corporativa baseada no respeito e na inclusão.
O compromisso real de uma empresa contra o assédio se reflete em suas ações diárias. “Quarenta e dois por cento dos trabalhadores brasileiros já sofreram assédio. É um número gigantesco. O Ministério Público do Trabalho, em 2023, identificou que o assédio moral era o terceiro principal motivo de denúncias, de ações trabalhistas do país. E segundo pesquisa da da FGV, foi comprovado que o assédio moral está diretamente ligado ao absenteísmo, à queda de produtividade e ao índice de turnover (rotatividade).”
Ainda durante o encontro on-line, a gerente Fernanda Brum Reis explicou o que é feito quando a empresa recebe uma denuncia de assédio, que pode ser ou não anônima. “Existe o compromisso de não retaliação. A pessoa não vai ser demitida por prestar a denúncia. Isso não vai acontecer, a não ser que se prove que foi falsa, para prejudicar o colega. O que queremos é que a pessoa se sinta acolhida e protegida.”